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Como calcular preço de procedimento odontológico sem chutar

O caminho auditável do custo fixo ao preço final, com horas produtivas reais, margem por hora de cadeira e a comparação honesta entre convênio e particular.

18 min de leitura por Equipe Transfermed
Como calcular preço de procedimento odontológico sem chutar

O preço de um procedimento odontológico sai de uma sequência de cinco contas, não de um palpite: custo fixo mensal, horas produtivas de cadeira, custo da hora de cadeira, custo direto do procedimento e, por fim, a divisão pelo complemento dos percentuais que saem do preço. A fórmula final é preço = custo direto ÷ (1 − impostos − taxa de cartão − margem desejada), com os percentuais em decimal.

O erro que derruba a maioria das tabelas não está nessa fórmula, está nos dois números que entram nela. Quem esquece o próprio pró-labore no custo fixo e divide esse custo pelas horas teóricas da agenda (e não pelas horas que realmente giram) subestima o custo da hora em 30% ou mais, e contamina cada linha da tabela. Este artigo mostra o caminho inteiro com números fechados, usando lançamentos que a sua clínica já tem no financeiro e no histórico da agenda.

Por que precificar no olho sai mais caro do que parece

Dois procedimentos na sua tabela custam R$ 800 para o paciente. O primeiro ocupa 40 minutos de cadeira e consome R$ 60 de material. O segundo ocupa 2h30, consome R$ 90 de material e mais R$ 380 de laboratório. Pelo preço, são iguais. Pela realidade da clínica, o primeiro sustenta a estrutura e o segundo pode estar sendo feito no prejuízo.

Três atalhos costumam produzir esse cenário:

  • Copiar a tabela do colega. Ele tem outro aluguel, outra folha, outra ocupação de agenda e talvez outro regime tributário. O preço dele resolve a estrutura dele.
  • Aplicar um percentual sobre o material. O material raramente passa de 10% a 15% do custo de um procedimento clínico. Multiplicar insumo por 3 ou por 5 ignora o que mais pesa, que é o tempo de cadeira.
  • Aceitar o valor que o convênio manda. Sem saber o seu custo por hora, você não tem como responder se aquele código compensa.

É assim que faturamento alto convive com caixa apertado. Preço abaixo do custo não some: ele só transfere o prejuízo para o volume. Quanto mais você atende, mais rápido o buraco aparece.

Um registro necessário antes das contas: não existe tabela de preço mínimo obrigatória em odontologia. Tabelas de honorários com valores impositivos foram restringidas pelo CADE por caracterizarem cartel, de modo que o que sindicatos e associações publicam hoje são referenciais, sem força vinculante. Em paralelo, o Código de Ética Odontológica veda o aviltamento de honorários e a concorrência desleal, ou seja, cobrar deliberadamente abaixo do razoável para tomar mercado também é problema ético. O preço é decisão de cada clínica, e por isso precisa ser defensável com conta na mão.

Passo 1: some tudo o que a clínica gasta para abrir a porta

Custo fixo é o que você paga mesmo no mês em que ninguém sentar na cadeira. Levante os últimos três meses e tire a média, para não deixar de fora o que cai trimestralmente.

Entra tudo isto: aluguel, condomínio, IPTU, energia, água, internet, telefone, salários e encargos da recepção e da ASB ou TSB, honorários da contabilidade, softwares, marketing, seguro, material de limpeza, coleta de resíduos de serviços de saúde (obrigação de biossegurança prevista nas RDC do setor, com contrato mensal de empresa licenciada), manutenção preventiva de compressor, autoclave e raio X, treinamentos de NR 32 e a guarda segura do prontuário exigida pela LGPD.

Depreciação é a linha mais esquecida. Equipamento não é despesa do mês da compra, é custo diluído: divida o valor de cada item pelos meses de vida útil estimada. Cadeira completa de R$ 36.000 em 120 meses são R$ 300 por mês. Um scanner intraoral de R$ 30.000 em 60 meses são R$ 500. Sem essa linha, você descobre que não tem reserva justamente no dia em que a autoclave para.

E o ponto que mais dói: o pró-labore do dentista dono entra como custo, não como sobra. Se o seu trabalho clínico não está pago dentro da conta, o que você chama de lucro é, na verdade, o seu salário disfarçado.

O que não entra aqui: material aplicado no paciente, laboratório de prótese, impostos sobre a receita e taxa de cartão. Todos variam com o que você faz e voltam no passo 4.

Custo fixo mensal (consultório de 1 cadeira, exemplo ilustrativo)Valor
Aluguel, condomínio e IPTUR$ 3.200
Energia, água, internet e telefoneR$ 780
Recepcionista (salário + encargos)R$ 2.900
ASB (salário + encargos)R$ 2.600
ContabilidadeR$ 600
Softwares de gestãoR$ 350
MarketingR$ 900
Limpeza e descarte de resíduosR$ 450
Manutenção de equipamentosR$ 300
SeguroR$ 150
Depreciação (cadeira, raio X, autoclave, scanner, informática)R$ 1.070
Pró-labore do dentistaR$ 12.000
TotalR$ 25.300

Passo 2: descubra quantas horas de cadeira você realmente vende

Comece pelo teórico: 22 dias de atendimento por 8 horas dão 176 horas por mês. Agora desconte a realidade. Sai o tempo de limpeza e esterilização entre pacientes, saem os buracos que a agenda nunca preenche, saem as faltas e os cancelamentos de última hora, sai aquele horário das 11h30 que ninguém quer. O que sobra são as horas produtivas, e é raro passarem de 60% a 75% do teórico em consultório de porte médio.

Dividir o custo fixo pelas 176 horas teóricas é o erro mais caro de todo o cálculo. No exemplo acima, daria R$ 143,75 por hora. Com 68% de ocupação real, as horas produtivas caem para cerca de 120 e a hora custa R$ 210,83. Uma tabela inteira construída sobre os R$ 143,75 nasce com 32% de custo escondido.

Não estime esse percentual, meça. Puxe o histórico da agenda dos últimos 90 dias e conte quatro coisas: horários abertos, horários agendados, atendimentos efetivamente realizados e faltas ou cancelamentos. A divisão entre horas atendidas e horas abertas é a sua ocupação real. Se o número te assustar, o problema não é a tabela de preços, é a agenda, e vale atacar antes a organização da agenda odontológica sem buracos e atrasos.

Clínica com mais de uma cadeira ou mais de um profissional: calcule por cadeira ou por sala. Somar tudo em um bolo só esconde a sala que fica vazia às sextas atrás da sala que lota, e o preço médio resultante não serve para nenhuma das duas.

Passo 3: a conta do custo da hora de cadeira

A fórmula é direta:

Custo da hora de cadeira = custo fixo mensal ÷ horas produtivas de cadeira no mês

Com os números dos passos anteriores: R$ 25.300 ÷ 120 horas = R$ 210,83 por hora de cadeira. Esse é o valor que a sua estrutura consome a cada hora, com ou sem paciente sentado.

Vale rodar a sensibilidade, porque ela explica muita coisa:

Ocupação realHoras produtivasCusto da hora de cadeira
75%132 hR$ 191,67
68%120 hR$ 210,83
55%97 hR$ 260,82

A estrutura é a mesma nos três cenários. O que muda é sobre quantas horas ela é diluída. Por isso falta de paciente é problema de precificação, e não só de marketing: cada ponto de ociosidade encarece todo procedimento que você executa.

Para levantar o custo fixo sem montar planilha nova, o caminho curto é o próprio módulo financeiro do sistema de gestão. As despesas já estão lançadas por categoria e por mês; basta filtrar as recorrentes e somar. Se hoje esses lançamentos vivem em uma planilha à parte, vale primeiro arrumar o fluxo de caixa da clínica, porque uma tabela de preços construída sobre despesa mal registrada erra na origem.

Passo 4: do custo da hora ao preço do procedimento

Agora o cálculo por linha da tabela. Primeiro o custo direto:

Custo direto = (tempo de cadeira × custo da hora) + insumos aplicados + laboratório ou prótese + provisão de retorno e garantia

Tempo de cadeira significa tempo de ocupação, não tempo de mão na boca do paciente. Inclua preparo da sala, paramentação, anestesia esperando fazer efeito e a limpeza depois. E pare de chutar esse número: por uma semana, registre hora de início e hora de fim de cada atendimento na agenda. A diferença entre o tempo que você acha que leva e o real costuma ser de 15 a 25 minutos por procedimento.

Depois, o preço. A margem e os percentuais que saem do preço (impostos e taxa de cartão) não se somam por cima, eles se descontam por dentro:

Preço = custo direto ÷ (1 − impostos − taxa de cartão − margem desejada)

Exemplo fechado, para uma restauração que ocupa 1 hora de cadeira:

  • Tempo de cadeira: 1h × R$ 210,83 = R$ 210,83
  • Insumos aplicados: R$ 45,00
  • Provisão de retorno e garantia (5% do tempo de cadeira): R$ 11,00
  • Custo direto: R$ 266,83
  • Impostos 8%, taxa de cartão 2,5%, margem desejada 25% (soma: 0,355)
  • Preço = 266,83 ÷ (1 − 0,355) = 266,83 ÷ 0,645 = R$ 413,69

Compare com o atalho de somar 35,5% por cima do custo: R$ 266,83 × 1,355 = R$ 361,55. Nesse preço, depois de pagar R$ 28,92 de imposto, R$ 9,04 de cartão e o custo direto, sobram R$ 56,76, ou seja, 15,7% de margem no lugar dos 25% que você pensou ter cobrado. É essa a margem que evapora no imposto.

Sobre a alíquota: ela depende do Anexo do Simples Nacional em que a clínica se enquadra (Anexo III quando o Fator R, a razão entre folha e receita bruta dos últimos 12 meses, fica em 28% ou mais; Anexo V quando fica abaixo), e ainda do ISSQN do seu município. O 8% do exemplo é ilustrativo. Confirme o seu percentual com a contabilidade: o artigo entrega o método, não a alíquota. Vale a mesma disciplina para a taxa de cartão, que muda por bandeira e por parcelamento, e cresce se você anteciparecebíveis.

Uma nota para não contar a falta duas vezes. Se você calculou as horas produtivas do passo 2 com base em atendimentos realizados, o no show já está dentro do custo da hora. Se calculou com base em horários agendados, acrescente a linha: com 10% de faltas, o preço precisa se sustentar com 90% da agenda paga, o que significa dividir também por 0,90.

Passo 5: qual procedimento sustenta a agenda e qual só ocupa horário

Preço alto não é sinônimo de procedimento lucrativo. O indicador que decide é a margem de contribuição por hora de cadeira: preço menos custos variáveis (insumos, laboratório, impostos e taxa de cartão), dividido pelo tempo de ocupação.

ProcedimentoPreçoCustos variáveisMargem de contribuiçãoTempo de cadeiraMargem por hora
Clareamento de consultórioR$ 1.200R$ 386R$ 8141h30R$ 543
Coroa em cerâmicaR$ 1.800R$ 729R$ 1.0713h00R$ 357
Restauração em resinaR$ 414R$ 88R$ 3261h00R$ 326
Prótese sobre implanteR$ 3.200R$ 1.856R$ 1.3445h00R$ 269
Profilaxia com aplicação de flúorR$ 180R$ 37R$ 1430h45R$ 191

Repare no que a tabela revela. A prótese de R$ 3.200, o item mais caro da lista, entrega menos margem por hora do que uma restauração de R$ 414, porque trava a cadeira por cinco horas e carrega R$ 1.400 de laboratório. Não significa tirá-la da tabela: significa saber que três horas de clareamento rendem mais do que cinco horas de reabilitação, e planejar o mix com isso em mente.

Faça o ranking com os dez procedimentos mais executados no último trimestre, não com os dez que você lembra. Volume real vem dos relatórios de atendimento, e a lista de procedimentos odontológicos ajuda a padronizar a nomenclatura para que o mesmo serviço não apareça com três nomes diferentes. Quando o laboratório pesa muito na conta, o fluxo digital muda o jogo: escanear e enviar um arquivo STL em vez de moldar corta sessões de prova e devolve horas de cadeira à agenda.

Para quem fica no fim da lista, há quatro decisões possíveis: reprecificar, reduzir o tempo de cadeira, renegociar laboratório ou tirar da tabela. Qualquer uma serve, desde que seja escolha e não acidente.

Feche com o ponto de equilíbrio. Se a margem de contribuição média do seu mix é de R$ 320 por hora, você precisa de R$ 25.300 ÷ R$ 320, ou seja, cerca de 79 horas produtivas de cadeira só para empatar. Com 120 horas produtivas, as 41 horas restantes são o que gera lucro. Essa é a régua que diz, no dia 15, se o mês vai fechar no azul.

Convênio e particular: por que o mesmo valor não serve

O convênio paga pela tabela dele, com códigos TUSS, faturamento pelo padrão TISS definido pela ANS e prazo próprio. E o valor negociado não é o valor recebido: entre um e outro há a glosa, a recusa parcial ou total do pagamento, muitas vezes por erro de preenchimento de guia, falta de documentação ou divergência de código.

Compare sempre depois de descontar glosa estimada e prazo. Uma endodontia de molar que ocupa 2 horas:

Endodontia de molar (2h de cadeira)ParticularConvênio
Valor de tabelaR$ 1.100R$ 320
Glosa estimada (6%)R$ 0R$ 19,20
Recebimento efetivoR$ 1.100R$ 300,80
InsumosR$ 70R$ 70
Impostos e taxa de cartãoR$ 115,50R$ 24,06
Margem de contribuiçãoR$ 914,50R$ 206,74
Margem por horaR$ 457R$ 103
Prazo médio de recebimento1 a 30 dias30 a 60 dias após o faturamento

R$ 103 por hora contra um custo de hora de cadeira de R$ 210,83: esse procedimento, nesse convênio, não paga a estrutura. Isso não condena o convênio inteiro. Ele continua fazendo sentido para preencher horários que ficariam vazios e para alimentar a agenda com pacientes que depois fazem tratamentos particulares, desde que a margem por hora seja positiva e o volume não empurre o particular para fora da grade.

O sinal de alerta é claro: procedimento de convênio com margem por hora abaixo do custo da hora sendo executado no horário mais disputado do dia. Se acontece toda semana, o problema é de alocação de agenda, não de tabela.

Duas providências reduzem a distância entre o combinado e o recebido. A primeira é ética e prática: informar o paciente, por escrito e antes de começar, o que está coberto pelo Rol de Procedimentos Odontológicos da ANS e pelo contrato do plano, e o que é particular. A segunda é operacional: emitir as guias TISS dentro do sistema, com dados do paciente, códigos e datas puxados do próprio prontuário, porque boa parte da glosa nasce de campo digitado errado, e não de divergência clínica.

Os sete erros que estragam a tabela de preços

  1. Não incluir o próprio pró-labore. Correção: coloque o seu salário no custo fixo antes de calcular qualquer preço.
  2. Dividir o custo fixo por horas teóricas. Correção: use a ocupação medida nos últimos 90 dias da agenda.
  3. Somar a margem por cima em vez de dividir pelo complemento. Correção: aplique a divisão por (1 − impostos − cartão − margem).
  4. Esquecer laboratório, retorno, garantia e retrabalho. Correção: crie uma provisão fixa por procedimento, mesmo que pequena.
  5. Dar 10% de desconto sobre uma margem de 12%. Correção: defina o desconto máximo por procedimento a partir da margem, e informe a recepção.
  6. Copiar a tabela da clínica vizinha. Correção: use referenciais de sindicato só como sanidade de mercado, nunca como origem do preço.
  7. Congelar a tabela por anos. Correção: revise a cada seis meses, porque insumo, salário e energia não esperam.

Como validar a tabela com o que já está registrado no financeiro

Tabela nova sem conferência é palpite melhor vestido. Rode uma checagem de 30 dias comparando quatro números do mês fechado com o que a sua conta previa: faturamento realizado, contas a receber, despesas lançadas e ticket médio. Se o realizado ficar muito abaixo do previsto, o desvio quase sempre está na ocupação, não no preço.

O ticket médio é o termômetro mais rápido. Subiu porque o mix melhorou ou porque dois casos grandes distorceram a média? Caiu porque entrou volume de convênio? Olhe sempre junto com o número de atendimentos, nunca sozinho. Ele é um entre vários indicadores de desempenho da clínica que só fazem sentido em conjunto.

Planilha paralela quebra essa validação. O lançamento atrasa, duplica, some quando a pessoa que cuidava dele sai de férias. Agenda, atendimento e financeiro precisam sair da mesma base para que a conferência valha alguma coisa. No Transfermed, um software para dentistas com financeiro integrado, as receitas, despesas e contas a receber ficam registradas junto com a agenda e o prontuário, e os indicadores em tempo real (faturamento do mês, lucro estimado, a receber e ticket médio) aparecem no painel para essa conferência mensal. Os cálculos de precificação continuam sendo decisão sua: o sistema entrega os dados organizados, não a tabela pronta.

Transforme isso em rotina de 20 minutos por mês: confira o custo fixo (mudou aluguel, folha ou algum contrato?), a ocupação real (subiu ou caiu?) e o mix de procedimentos (o que mais foi executado?). Três perguntas, três relatórios, e a tabela permanece viva.

Quando e como reajustar sem perder paciente

Gatilhos que pedem revisão imediata, fora do calendário: alta de insumo ou laboratório acima de 10%, aumento de aluguel ou de folha, queda sustentada de ocupação por dois meses seguidos e mudança de enquadramento tributário. Fora isso, a cadência saudável é revisar a cada seis meses e reajustar uma vez por ano, com correção emergencial se algum procedimento entrar em margem negativa.

Na comunicação, três cuidados evitam atrito: avise com antecedência, respeite orçamentos já aprovados e mantenha o valor combinado para tratamento em andamento. Paciente que começou uma reabilitação em março não deveria descobrir o preço novo na quinta sessão.

Aumento linear também não é a única saída. Antes de mexer em tudo, avalie reduzir o tempo de cadeira dos procedimentos mais frequentes, renegociar o laboratório, ajustar apenas as linhas de margem baixa ou mudar o mix da agenda. E documente sempre o orçamento e o aceite nos documentos do paciente, dentro do prontuário eletrônico: discussão sobre valor combinado costuma aparecer meses depois, quando a memória de todo mundo já ficou criativa.

Checklist: sua nova tabela de preços em uma tarde

  1. Custo fixo mensal. Abra o relatório de despesas dos últimos três meses, tire a média das recorrentes, some depreciação e pró-labore.
  2. Horas produtivas. Abra o histórico da agenda dos últimos 90 dias, calcule horas atendidas sobre horas abertas, aplique o percentual sobre as horas teóricas do mês.
  3. Custo da hora de cadeira. Divida o item 1 pelo item 2. Faça isso por cadeira, se tiver mais de uma.
  4. Custo direto e preço. Para cada procedimento: tempo cronometrado × custo da hora, mais insumos, laboratório e provisão de garantia. Depois divida por (1 − impostos − cartão − margem).
  5. Ranking de margem por hora. Ordene os dez procedimentos mais executados e decida o que fazer com os três últimos.

Os quatro números que merecem ficar anotados onde a gestão enxerga todo dia: custo fixo mensal, horas produtivas, custo da hora de cadeira e margem alvo. Com eles, qualquer preço novo sai em dois minutos, e qualquer pedido de desconto tem resposta com conta por trás.

Modelo de linha para copiar por procedimento: nome do procedimento | tempo de cadeira | insumos | laboratório | provisão de garantia | custo direto | preço calculado | margem de contribuição | margem por hora. Comece pelos dez procedimentos que você mais fez no último trimestre. É onde está o dinheiro, e é onde o ajuste aparece mais rápido no caixa.

Perguntas frequentes

Como calcular o custo da hora de cadeira do consultório?

Divida o custo fixo mensal pelas horas produtivas de cadeira do mês. O custo fixo inclui aluguel, folha, contabilidade, softwares, manutenção, depreciação dos equipamentos e o pró-labore do dentista. As horas produtivas são as horas teóricas da agenda multiplicadas pela ocupação real medida nos últimos 90 dias, que costuma ficar entre 60% e 75%.

Qual a fórmula para definir o preço de um procedimento odontológico?

Primeiro calcule o custo direto: tempo de cadeira multiplicado pelo custo da hora, mais insumos, laboratório e provisão de retorno e garantia. Depois aplique preço = custo direto dividido por (1 − impostos − taxa de cartão − margem desejada), com os percentuais em decimal. Dividir pelo complemento é diferente de somar a margem por cima, e a diferença costuma ser de vários pontos percentuais de lucro.

Devo cobrar o mesmo valor do convênio e do particular?

Não. O convênio paga pela tabela própria, com códigos TUSS e faturamento TISS, no prazo dele, e pode glosar parte do valor. Compare os dois pela margem de contribuição por hora de cadeira, já descontadas a glosa estimada e o efeito do prazo de recebimento no caixa. O convênio faz sentido para ocupar horários vazios, desde que a margem por hora seja positiva.

Como saber se um procedimento odontológico está dando prejuízo?

Calcule a margem de contribuição (preço menos insumos, laboratório, impostos e taxa de cartão) e divida pelo tempo de cadeira que ele ocupa. Se o resultado por hora ficar abaixo do seu custo da hora de cadeira, aquele procedimento não paga a estrutura. Faça esse ranking com os dez procedimentos mais executados no último trimestre, usando o volume real dos relatórios, não a memória.

O pró-labore do dentista entra no custo ou sai do lucro?

Entra no custo fixo, antes de qualquer cálculo de preço. O trabalho clínico e a gestão do dono têm valor de mercado e precisam estar pagos dentro da conta. Quando o pró-labore fica de fora, o que sobra no fim do mês parece lucro mas é apenas o salário não retirado, e a clínica opera com uma margem que não existe.

De quanto em quanto tempo devo reajustar a tabela de preços da clínica?

Revise a cada seis meses e reajuste uma vez por ano, com correção fora do calendário se algum procedimento entrar em margem negativa. Alta de insumo ou laboratório acima de 10%, aumento de aluguel ou folha, queda sustentada de ocupação e mudança de enquadramento tributário são gatilhos para antecipar a revisão. Mantenha o valor combinado para tratamentos já aprovados e em andamento.

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